Ativos de A a Z

Flor de camomila branca apoiada em superfície clara.

Como ler este glossário

Cada verbete responde três coisas: o que o ativo é, o que se observa na superfície da pele, e o que ele não faz. A terceira parte é a que costuma faltar em todo lugar, e é a mais útil na hora de comprar.

Duas advertências que valem para os trinta. Primeira: o nome do ativo na frente do frasco não diz a quantidade dele dentro, e quantidade muda tudo — como ler o INCI explica onde fica a linha de corte. Segunda: a resposta da sua pele a um ativo é sua — não do ativo. Teste de sensibilidade antes, sempre.

Ácido hialurônico e hialuronato de sódio

Umectante: uma molécula que segura água junto de si. Numa fórmula, é o que dá a sensação de pele “cheia” e macia logo depois da aplicação. Aparece em tônicos, essências e séruns aquosos, e é dos ativos de tolerância mais ampla. O que ele não faz: nada sozinho. Em ambiente muito seco, umectante sem nada por cima pode deixar a pele com sensação de repuxo — ele precisa de uma camada mais densa em seguida para segurar a água que atraiu.

Ácido salicílico (BHA)

Esfoliante químico solúvel em gordura, o que o torna comum em fórmulas para pele oleosa. Solta as células já mortas da camada mais externa e ajuda a limpar a abertura do poro, de onde vem a impressão de superfície mais lisa. Costuma dar ardência leve nas primeiras aplicações. O que ele não faz: não muda o tamanho do poro, e uso diário desde o primeiro dia é o caminho mais rápido para desconforto. Uma a duas vezes por semana é começo suficiente.

AHA — ácido glicólico e ácido láctico

Esfoliantes químicos solúveis em água. O glicólico é o de molécula menor e o de sensação mais forte; o láctico é mais brando e vem quase sempre acompanhado de umectante. Servem à mesma finalidade: soltar o que já está morto na superfície para que a luz reflita de forma mais uniforme. O que eles não fazem: não substituem protetor solar — pele recém-esfoliada pede mais atenção com sol, não menos.

Alantoína

Ingrediente discreto que aparece em fórmulas com proposta de conforto. Contribui para a sensação de maciez e para o acabamento suave. Raramente é o motivo pelo qual alguém compra um produto, e frequentemente é o motivo pelo qual a fórmula é agradável de usar. O que ela não faz: não é ativo de resultado visível isolado.

Aloe vera

Gel vegetal de textura leve, sensação refrescante imediata e absorção rápida. Muito usado como base aquosa de fórmulas leves e em produtos pós-sol. O que ele não faz: sensação de frescor não é o mesmo que baixar temperatura da pele, e aloe não substitui cuidado com queimadura solar — queimadura com bolha ou dor é assunto médico.

Argila

Mineral em pó que absorve gordura por contato. Em máscara, é o que dá a sensação de pele “limpa” e a aparência mais opaca logo depois do enxágue. Regra prática que quase todo mundo erra: enxágue antes de secar por completo — argila totalmente seca continua puxando, e o que ela puxa no fim é a água da própria superfície. O que ela não faz: não desobstrui poro de forma permanente.

Artemísia (mugwort)

Extrato vegetal tradicional na cosmética coreana, comum em fórmulas de poucos ingredientes com proposta de conforto para pele reativa. Cor esverdeada característica e aroma herbal marcante. O que ela não faz: aroma herbal não é sinônimo de fórmula inócua — é planta, e planta é uma das origens mais comuns de sensibilização. Teste antes.

Bakuchiol

Extrato vegetal que ficou conhecido por ser comparado, na comunicação de marca, a uma categoria de ativos regulada. Essa comparação é uma alegação, e alegação depende do dossiê de quem fabrica — não do que se lê em post. O que se pode dizer com segurança: é um ativo de origem vegetal, com sensação de uso mais confortável do que a categoria à qual costuma ser comparado. O que ele não faz: nada que a embalagem do produto que você comprou não afirme.

Cafeína

Aparece sobretudo em fórmulas para a área dos olhos e em produtos com proposta de frescor. O que se observa é sensação: aplicação fria, pele com aparência mais desperta pela manhã. O que ela não faz: explicação sobre o que estaria acontecendo por baixo da pele descreve outra categoria de produto, e isso não é o que cosmético faz nem o que se pode afirmar sobre ele.

Centella asiática (cica)

O extrato mais recorrente no levantamento que fizemos das marcas coreanas, e a espinha dorsal da cosmética coreana de conforto. Vem em extrato inteiro ou em frações isoladas (madecassoside, asiaticoside, ácido asiático), e as fórmulas costumam ser simples, de textura leve e sensação neutra. É o que se procura quando o objetivo é uma rotina curta e sem susto. O que ela não faz: não é medicamento, não é para pele com lesão, e o extrato inteiro em concentração alta também sensibiliza.

Ceramidas

Lipídios que fazem parte da composição natural da superfície da pele. Em fórmula, entram como componente de textura mais densa e de acabamento emoliente — a sensação de pele confortável horas depois vem quase sempre daí. Combinam bem com umectantes: um traz água, o outro segura. O que elas não fazem: não repõem nada por baixo, e o número de tipos de ceramida no rótulo não é medida de qualidade.

Colágeno tópico

Proteína de molécula grande. Passada na pele, ela fica na superfície e forma um filme — e é esse filme que dá a sensação de pele lisa e a aparência de viço logo depois da aplicação. Algumas marcas imprimem no rótulo o tamanho da molécula em dáltons; esse número descreve a molécula, e qualquer afirmação sobre o que ele significa para a pele depende do dossiê de quem fabrica. O que ele não faz: colágeno de pote não vira colágeno de pele.

Esqualano

Óleo leve, de textura seca e sem cheiro, hoje quase sempre de origem vegetal. Espalha fácil, não deixa a sensação pesada de óleo tradicional e serve bem como último passo. É dos poucos óleos que pele mista costuma tolerar. O que ele não faz: não hidrata no sentido de trazer água — ele segura a que já está lá.

Extrato de arroz

Ingrediente tradicional na cosmética asiática, comum em fórmulas de textura leitosa e sensação aveludada. O acabamento costuma ser levemente opaco, o que muita gente lê como pele “iluminada por dentro” — é acabamento óptico, e acabamento óptico é honesto quando dito com esse nome. O que ele não faz: nada de permanente.

Extrato de noni

Fruta usada como base de fórmula em algumas linhas coreanas, no lugar de parte da água. Aroma característico, forte, que divide opiniões. Do ponto de vista da pele, o que se observa é o mesmo de qualquer base aquosa bem formulada: sensação leve e absorção rápida. O que ele não faz: nome exótico não é ativo, é base.

Fermentados (bifida, galactomyces)

Filtrados de fermentação. Chegam à fórmula como líquidos de textura levemente viscosa, que escorrem puxando fio — o efeito visual que fez a categoria inteira viralizar. Na pele, a sensação é de camada fina e macia, e o acabamento é de viço. O que eles não fazem: a divulgação em torno de fermentados costuma prometer bem mais do que textura, sensação e aparência — e nada além disso tem lugar em publicidade de cosmético.

Glicerina

O umectante mais comum das fórmulas aquosas, e um dos mais baratos — as duas coisas ao mesmo tempo, o que confunde muita gente. Está em quase todas as fórmulas aquosas e é boa parte da razão pela qual elas funcionam. Em concentração alta deixa sensação pegajosa. O que ela não faz: preço não é medida de eficiência aqui; fórmula simples com glicerina costuma entregar mais conforto do que fórmula cara com ativo da moda.

Heartleaf (Houttuynia cordata)

Planta que virou categoria própria no skincare coreano, quase sempre em tônicos e fórmulas de poucos ingredientes com proposta de conforto para pele reativa. Textura aquosa, aroma vegetal leve, sensação neutra. O que ela não faz: “calmante” é palavra de anúncio, não de rótulo — o que se pode dizer é sensação de conforto, e como toda novidade, faça o teste de sensibilidade antes.

LHA

Esfoliante químico de molécula maior que a do salicílico, o que na prática o torna mais gradual e costuma deixar a sensação mais branda. Aparece em fórmulas de uso mais frequente. O que ele não faz: mais brando não é sinônimo de inofensivo — continua sendo esfoliação, e continua valendo a regra de não empilhar ácidos.

Mentol

Responsável pela sensação de gelado em espumas de limpeza e produtos pós-barba. É sensação, não temperatura: a pele não está mais fria. Divide opiniões de forma radical, e em pele reativa costuma ser o primeiro ingrediente a sair da rotina. O que ele não faz: frescor não é limpeza, e a sensação de gelado não indica que o produto funcionou.

Mucina de caramujo

Filtrado viscoso, de comportamento visual marcante — escorre puxando fio e absorve deixando aparência de viço na hora. É esse comportamento imediato, e não qualquer promessa de longo prazo, o que se pode observar e dizer. Origem animal, o que é decisivo para quem procura fórmula vegana. O que ela não faz: nenhuma progressão temporal de condição de pele, que é como a categoria costuma ser anunciada.

Niacinamida

Uma das formas da vitamina B3, e um dos ativos que aparecem em mais categorias de produto — tônico, sérum, creme, máscara, protetor solar. Boa tolerância, textura neutra, combina com quase tudo. O que se observa é pele com aparência mais uniforme e acabamento confortável. O que ela não faz: em concentração alta, algumas peles sentem calor e vermelhidão passageira — se isso acontecer, a resposta é diminuir a concentração, não insistir.

Pantenol (pró-vitamina B5)

Umectante de textura agradável, presente em quase toda fórmula coreana de conforto. É bastante do que faz uma máscara de folha ser confortável e uma essência não arder. O que ele não faz: não é ativo de vitrine — é o ingrediente que faz o resto funcionar sem incômodo, e isso raramente aparece na frente do frasco.

Peptídeos

Fragmentos curtos de proteína, usados numa faixa enorme de fórmulas. A parte honesta: em cosmético, o que se observa é textura, acabamento e sensação. A parte que exige cuidado: a divulgação em torno de certos peptídeos é escrita com vocabulário de procedimento de consultório, e essa é uma fronteira que a Viço não atravessa. Quando um produto promete, por causa de um peptídeo, algo que só se afirma com dossiê de eficácia do fabricante, a pergunta certa não é “pode falar?” — é “quem fabricou tem o estudo, e você leu?”

PHA (gluconolactona, ácido lactobiônico)

A geração mais branda dos esfoliantes químicos: molécula maior, ação mais superficial, sensação mais suave. Costuma ser a porta de entrada para quem já ardeu com AHA. Também é umectante, o que explica a sensação menos ressecada depois do uso. O que ele não faz: mais suave significa mais gradual, não mais rápido.

Pinheiro (pine)

Extrato de coníferas, comum em linhas coreanas que trabalham a ideia de fórmula “de floresta”. Aroma resinoso característico. Do ponto de vista da pele, comporta-se como extrato vegetal de fórmula leve. O que ele não faz: o aroma é a parte mais perceptível do ingrediente, e aroma marcante é o que mais gera reação em pele sensível.

Própolis

Resina produzida por abelhas. Em fórmula, dá textura levemente melosa e acabamento com brilho — é dos poucos ingredientes cujo efeito de viço se vê no mesmo minuto. Ponto de atenção sério: é produto de origem apícola, e quem tem histórico de reação a abelha, mel ou pólen precisa de cautela redobrada. O que ele não faz: brilho de própolis é filme, e sai na lavagem.

Seiva de bétula

Líquido extraído da árvore, usado por algumas marcas coreanas no lugar de parte da água da fórmula. O resultado é uma base de sensação leve e absorção rápida, e é esse o argumento honesto — não o exotismo. O que ela não faz: substituir água por seiva muda a sensação da fórmula, não a natureza do produto.

Tea tree (melaleuca)

Óleo essencial de aroma forte, tradicional em fórmulas para pele oleosa. É potente como aroma e como potencial sensibilizante — é um dos óleos essenciais mais associados a reação de pele. O que ele não faz: não é assunto para pele com lesão inflamada, e o cheiro medicinal não é indicador de que algo está funcionando.

Vitamina C e seus derivados

Categoria, não ingrediente único: ácido ascórbico puro e uma família de derivados mais estáveis, com sensações de uso bem diferentes entre si. O que se observa é acabamento de viço e aparência mais uniforme. Cuidado prático que vale mais que qualquer promessa: a fórmula oxida com luz, ar e calor — se ela escureceu, mudou de cheiro ou virou âmbar, o produto passou do ponto. Guarde longe de luz e não compre frasco grande demais para o seu ritmo de uso.

O que você vai ver por aí e não vai ver aqui

Este glossário tem trinta verbetes e o mercado tem centenas. As ausências são escolha, e há três motivos para elas.

  1. ativos cuja finalidade é alterar a cor da pele. A Viço não trabalha essa categoria, e por isso ela não aparece nem em glossário. O raciodínio inteiro está em Viço e clareamento;
  2. ativos de categoria regulada mais exigente. Alguns ingredientes muito populares na internet pertencem, no Brasil, a uma classe de produto com regra própria de registro. Enquanto um item dessa classe não estiver documentado com a fonte oficial em mãos, ele não entra em texto nosso;
  3. ativos cuja divulgação é escrita em vocabulário de consultório. Existem ingredientes legítimos cuja comunicação inteira foi construída em cima de linguagem de procedimento clínico. O ingrediente pode ser bom; o vocabulário não cabe em publicidade de cosmético, e a gente não empresta o vocabulário para vender.

Se um ativo que você procura não está aqui, isso não significa que ele seja ruim. Significa que ainda não temos o que dizer sobre ele sem inventar.